Ele a olhou e sorriu... Ela o olhou e gargalhou.
Ele detestava o frio que sentia, então ateou fogo em sua casa e foi dormir...
Sem mais.
02:58 AM
Ele a olhou e sorriu... Ela o olhou e gargalhou.
Ele detestava o frio que sentia, então ateou fogo em sua casa e foi dormir...
Sem mais.
02:58 AM
A partir daqui, começa a saga. Relatos da madrugada...
Não necessariamente serão escritos na madrugada, mas terá este nome pela certeza da maioria. Será como um diário, mas não com os pensamentos exatos... Ou não! Simplesmente será! Repassado em palavras o que sinto e penso. Sem mais explicações...
Hoje não foi um bom dia... Na verdade não foi um bom fim de semana, nem um bom começo. Espero que melhore! Ao menos obtive algumas respostas, recebi algumas boas noticias... Agora vago, sem ir a lugar algum. Simplesmente caminho pelos meus pensamentos. Tentando acalmar-me e encontrar paz. Difícil dormir assim. Cansado mentalmente, mas totalmente perdido nas perguntas. Perdendo horas e mais horas. Pensando em possibilidades, escolhas e caminhos... Atormentado pelos próprios pensamentos, causando uma tormenta em minha cabeça.
Eu escolhia a dedo os desastres, caminhava pela praia devastada pela maré nervosa, que incansavelmente, castigava a costa da praia de minha mente... Esvaindo em sangue, deixava para trás um rastro que as ondas apagavam, passo a passo. Fora desta metáfora... Nada mais que a realidade, nua e crua! A tela do meu computador, clareando a sala escura, dando um tom obscuro à vida. E eu imaginava-me vasculhando antigos escritos meus, escrevendo pensamentos em papéis rabiscados, e logo após os amassando e jogando-os dentro da lata de lixo. Assim como um jogo para distrair a mente. Mesmo que isto fosse somente imaginação, satisfazia-me com a idéia de livrar-me dos pensamentos que incomodavam... A boca amarga e seca, pela nicotina, ou pela falta dela! Mais um dia passado, mais um dia lutando contra o coração, tentando dar espaço para a razão. Assim como um louco luta contra si para obter as respostas das perguntas mais indigestas pela sociedade. “O que será que pensa ele?”. Você não se pergunta? Mesmo quando vê os loucos de desenho, a enrolar os dedos? Estranho saber sobre a complexidade da vida... Ser exata e duvidosa. Diferente, mas igual, monótona e surpreendente ao mesmo tempo. Porque não morrer amanhã, mesmo que sabendo da morte certa mais tarde... Porque amar alguém que não nos ama? Correr atrás, desgastar-se, talvez até criar uma certa aversão a pessoa e logo após passar por tudo isto, mas com outro ser... E pior ainda... Porque gostar e não falar? Não sentir, reprimir-se, negar-se a dádiva de estar ao lado de quem te faz bem? Estranho não? Mas esta... É a maravilha de existir... Eu entrego-me de corpo alma, sem pensar, pois não sei quanto tempo ainda tenho, se tempo tenho... E se teria outra chance. A vida é curta e cheia de vontade de passar-me rasteiras... Por isto vivo intensamente cada momento... Pois a eternidade... Nada mais é que um momento vivido intensamente. Quando vives um dia assim, com vontade, com gana de vida... Não o lembra por todo o resto de tua vida?
Este sou eu a pensar em ti... A entregar-me de corpo e alma. Sem medo de viver, mas aqui... Somente aqui. À frente de meu computador, pois ele não manda-me sumir, não pede-me para esquecer ou dar as costas. Enfim... Sabes que amo-te e o motivo de minha tormenta é não entender-te. Na verdade subentendo. E nego-me a enxergar e seguir, por puro medo... Enxergo além de teu corpo... Talvez tua alma. Talvez um pouco mais de cor e menos roupas (sem duplo sentido). A finco, no exato. Como o ser veio... Puro, ingênuo e amante por natureza. Por fim amasso mais um escrito em minha mente e concluo a obra... Com um simples “Eu te amo!” Escrito à areia da costa de meus pensamentos. Logo a maré apagará e terei que escrever outra coisa...
5:25 AM
“Saia já daqui!”.
Escutei isto ao abrir a porta do quarto e ver um homem velho deitado em minha cama... Mas o susto não deixou que eu tomasse qualquer atitude. Fiquei estático... O único esboço de movimento que existia era de minhas pernas tremendo. Com os olhos arregalados, observei vagarosamente cada traço de seu rosto. E foi como olhar um espelho do tempo. Era eu mesmo ali deitado. Velho, ranzinza, com barba e cabelos brancos... Apesar das rugas e a expressão de sofrido... Eu me vi perfeitamente! Após alguns segundos que mais pareciam horas, caminhei para trás e fechei a porta... Quando a mesma encostou no batente e o trinco foi fechado, abri os olhos... Acabara de acordar de um sonho estranho. Pasmo e quase em estado de choque; fui direto ao espelho verificar se estava tudo certo. Estes sonhos me atormentavam por noites seguidas. Talvez seja um reflexo do meu medo de alcançar a velhice. Não sei explicar, mas nunca me imaginei velho! Ser idoso era algo ilusório. Não suportava a idéia de tornar-me inválido... E não sei porque, eu tinha esta maldita idéia de que me tornaria invalido na velhice. Nos sonhos eu via sempre a imagem de um desses velhos chatos, que ninguém suporta. Que vive reclamando de dores e qualquer outra coisa. O engraçado é que não havia tatuagens. Talvez seja uma imagem do que eu queria ser. Sem tatuagens e velho! Sim! Velho. Não há no mundo quem me faça acreditar que chegarei a passar dos 30! Quando era mais jovem me imaginava em todas as idades. Mas o tempo foi passando e a forma de pensar foi mudando, fui vendo que o mundo e as pessoas também entraram na dança da mudança. E foram estas mesmas mudanças que me fizeram pensar que morreria cedo, ao menos eu queria isto. Eu vivia o sentimentalismo, a sinceridade. E no mundo de hoje é o que menos existe! Sei que ainda existe... Aos poucos, espalhados por alguns cantos... Bem dispersos. O que eu vejo hoje... É uma forma de viver inaceitável (ao menos para mim)... Não consigo entender, como alguém pode amar e ao mesmo tempo não amar. É tudo muito confuso, por interesse ou até mesmo sem propósito nenhum! Muita futilidade, muita hipocrisia... Pessoas vivendo de imagem, de falsidade, de sensacionalismo. A tragédia alheia vira fonte de dinheiro, a mentira vira verdade. E eu tenho que engolir todo esse falso moralismo... E a seco! Nem ao menos um trago de uísque para esquentar. Enfim... Não chegar a velhice, era um favor a mim mesmo, pois viver nessa “lavagem” que serve de comida para porcos, não era bem a minha vontade. E mais difícil ainda é ver que as pessoas questionam meu pensamento. O que há de errado em dar valor ao amor? O que há de errado em ser verdadeiro? O que há de errado em fazer o bem? Muitas coisas! Afinal o mundo é cheio de “falsos profetas”... Tudo isto é culpa desse tempo de futilidade, dessa idéia de viver sem valores... Existe muita gente que se aproveita de “qualidades”, de bondade, para se aproximar de seus objetivos... Não usam a sinceridade e fingem sentimentos... E quando alcançam o que desejam, fazem toda aquela imagem de “concreto” cair por terra, virar areia. Isto amedrontou as pessoas! Por mais que “todos” sejam fúteis, ou sem sentimentos, no fundo sempre aguardamos alguém que desperte a verdade outra vez, mas ficamos com tanto medo, ou nos entregamos tanto a esse modo ridículo de viver de mentiras, que não acreditamos quando alguém aparece querendo algo realmente sincero... E esta maldita duvida, acaba por afastar essas pessoas que realmente valem a pena, mas quando nos damos conta já é tarde... E por fim acabamos voltando ao “mundinho” de merda que vivemos... Mundo que seleciona por cor, estilo e tudo que você tem a oferecer. O que você é? Se tiver tatuagens e gostar de ficar só, pode ser meu amigo! Mas já te aviso... Não sou legal! Não sou descolado, nem curto coisas da moda... Sou cafona, apaixonado, envergonhado e apesar da aparência, sim! Sou antiquado! O que eu sou hoje... Quero ser sempre! E você? Vai querer ser o que amanhã? Por isso quero viver este momento eternamente... Por isso não me imagino velho. Pois o dia que me tornar um (se chegar a ser um)... Serei chato, ranzinza e invalido. Eu continuarei não suportando o mundo e o mundo não me suportará!
Hoje realmente entendo por que Gabriel Garcia Marquez é um grande escritor. Vive na solidão e ainda escreve muito bem sobre ela! A solidão instiga a nossa mente a criar histórias. Talvez seja uma forma de escapar do ócio, ou à vontade de que aquelas vontades tornem-se realidade... A maioria de meus escritores prediletos era solitário... Em alguns casos... Insanos (Franz Kafka), em outros... Filósofos agressivos e “descrentes” (Friederich Nietzsche), há também os criminosos pervertidos (Fiodor Dostoievski). Entre tantos outros... Romancistas questionadores (William Shakespeare, Machado de Assis), os que são mais de um (Fernando Pessoa e seus heterônimos), enfim... Todos eles são ótimos escritores, de diferentes épocas e diferentes lugares... Mas todos têm uma coisa em comum... A solidão! Talvez a solidão seja o segredo dos belos textos criados. Independentemente de que tipo de solidão seja... Involuntária ou por vontade própria. Os que se “isolaram” por vontade, deixaram de consumir o próprio tempo com sentimentos ou com qualquer outra coisa, transformaram seus anseios e sentimentos em histórias, colocaram em palavras o que seria o “romance” perfeito... Transformaram os pensamentos, que tanto almejavam tornar realidade, em “REAIS”! Real para sempre... Mas não os viveram...
Isto é o que eu imagino! Não que seja esta a realidade.
Talvez seja esta a forma que eu queria que fosse, e faço como eu mesmo cito na tese acima sobre solidão... Transformo aquilo que eu queria de verdade, na “verdade”. Verdade em forma de palavras, em forma de textos. Com a esperança que aquilo seja vivido... Nem que seja no pensamento do “outro”. No momento me sinto só. No momento ESTOU só! Nem um ombro amigo, nem um olhar de pena ou qualquer mão para apertar, nem um lenço oferecido para secar minhas lágrimas ou peito para me confortar... Somente solidão, uma mente avoada, um olhar vazio e cigarros queimados no cinzeiro...
A solidão me acompanha, amiga fiel que sempre me faz pensar... Que seja eterna a partir de agora...
Sintam-se "em casa" para criticar... Não vou ligar mesmo!
Sem tempo para edições e sem vontade também... Ultimamente tenho tido preferencia em postar as coisas como elas surgem em minha mente...
“Maldito sol... Saia de meu quarto agora!”.
Todas as manhãs, eu escutava esta frase, que transpassava as paredes da casa vizinha e adentrava a minha... E como todos os outros dias, eu olhava por entre as frestas de minha janela e encontrava um mundo estranho. O mundo do “outro” sempre é estranho!
O costume de mergulhar neste mundo; foi adquirido alguns dias após minha mudança para a nova casa. Por hora... Já se passavam alguns anos com esta rotina. Apesar de não me sentir mal, meus dias eram compostos por melancolia e solidão, não que isto fosse um problema para mim. Imagens e lembranças, manias, muitas manias. Que por muitas vezes; tidas por mim mesmo como loucuras... E uma de minhas manias era bisbilhotar o mundo alheio... Isto era algo que me divertia. Não que eu fosse fazer uso do que via e sabia. Era só por diversão. Não tinha o costume de sair, passava mais tempo dentro de casa e não conhecia muitas pessoas. A única que eu conhecia bem era o vizinho que se negava a gostar do sol. Nunca entendi o porque disto. Este vizinho residia o apartamento de numero trinta e dois, que por sua vez, localizava-se exatamente à frente do meu. O edifício não era alto, muito menos luxuoso. Simples e convidativo. De aparência confortável, mas ainda sim... Precisando de umas reformas. Quando me mudei para este edifício, tive que me acostumar com a loucura alheia.
Havia algum tempo que minha irmã ajudava-me a encontrar um local, que como ela mesmo dizia, mais adequado para mim.
O escolhi por sua cor, aliás... Por todas as suas cores. Gosto de coisas que pareçam ter vida. Com fachadas vermelhas, ladrilhos amarelos e detalhes em azul. Suas escadarias em formato caracol, nas mesmas cores e janelas de madeira, foram às coisas que mais gostei. Os aposentos não são grandes, mas é o suficiente para mim. Em meu quarto eu pendurava um quadro pintado à mão, por minha irmã. Um girassol em meio ao nada. Eu o deixava perto da janela, para que pegasse os primeiros raios de sol. De fato não era uma planta, mas era bom pensar na vida que um girassol leva. Eles gostam de sol, nada mais justo que deixá-lo próximo a janela. Esta mesma que eu observava o velho gritar o dia todo. Desta mesma também dava para ver o jardim. Eu gosto do jardim, é bem florido e é um lugar calmo, apesar de passar pouco tempo nele. Fazia parte de meu dia ir ao jardim. Passava exatas duas horas por lá e depois retornava ao meu quarto, a minha janela. Era engraçado olhar as crianças brincarem entre as flores do jardim. Todas com roupas brancas; sujavam-se e corriam de suas mães, que se vestiam de modo um tanto que estranho. Todas as noites eu recebia visitas. Algumas pessoas legais, outras que recebia somente por educação, estas me bombardeavam com perguntas... E odeio perguntas! Pessoas que tentavam se aproximar de mim, mas nada adiantava. A verdade é que gosto mais da solidão. De observar o velho barbudo e caquético que divertia minhas manhãs... Outro dia ele tentou se jogar de seu apartamento. Isto não foi algo que me divertiu. Fiquei mesmo preocupado. Perguntava-me o porque ele era assim. Por muitas vezes o vi passear pelos corredores do prédio, cantando e dançando, feliz e sorridente. Sorriso vazio, sobrando espaço de dentes retirados. A velhice chegara e talvez ele tenha enlouquecido. Ele pregava peças nos moradores e brincava com um cachorro de rua, que ele conseguiu com muito custo, a permissão para deixá-lo nas dependências do edifício. Outra coisa que gostava de observar além da vida alheia, era o entardecer. Não sei se era um privilégio meu, ou era o ângulo de visão para todos... Mas a visão que eu tinha de minha janela era maravilhosa! As cores que tomavam aquela vastidão azul transformavam-se em uma mescla de roxo, vermelho e laranja. Simplesmente perfeito! A noite era iluminada pelas luzes da cidade, que por sua vez ditavam as cores também. Por falar em noite... Lembro-me das regras. Após as vinte e uma horas, não se ouvia um ruído, nem mesmo um ranger de porta. Somente o barulho da rua e das redondezas. Uma paz! Coisa que me agrada muito também.
Este tempo eu ocupava escrevendo. Os pensamentos “voavam” naquele silencio que atravessava a noite, servia como inspiração para minhas estórias. Não as divulgo a ninguém. Não busco reconhecimento, é por puro prazer de guardar os pensamentos em papéis. Quem sabe um dia estas venham a serem reconhecidas e divulgadas, mas não por mim. Meu cotidiano não se resumia apenas nestas coisas... Eu também viajava, não muito, mas ainda sim não era por completo solitário. Sempre que possível minha irmã; a mesma que me presenteou com o quadro, vinha me buscar para irmos a praia ou ao cinema. Tínhamos uma boa convivência. Ela me trata muito bem! E se preocupa muito comigo. Vejo isto em seus atos. Sempre perguntado se estou bem, ou se preciso de algo, atenciosa e meiga, faz com que eu me sinta muito bem ao seu lado. Sou apaixonado pelo sorriso dela. Branca como uma folha de papel, me dá vontade até de escrever nela. Gostaria que ela morasse comigo, mas todas as vezes que a convido para minha casa, ela inventa alguma desculpa. Isto não diminui o meu amor por ela. Pois sei que cada um leva uma vida diferente. Por fim sempre retorno ao meu quarto... E por muitas vezes me pego observando o quadro... Certas vezes tenho vontade de me mudar, mas não sei o que há com aquele edifício... Parece existir algum encanto, algo que me faça ser prisioneiro dele. De fato...Nem tudo é um mar de rosas. Por muitas vezes tive a impressão de que alguém invadia meu quarto... Muitas vezes sonhei com isso. No sonho alguém abria a porta, me amarrava e me forçava a tomar um remédio. Acordava assustado e via que nada havia acontecido. Isto não influenciava na minha vontade por ares novos. Eu pensava em me mudar pelo simples fato de conhecer lugares novos, pessoas e talvez até um novo “velho barbudo”, que por sua vez teria outros tipos de loucuras. Enfim... Foi como já citei... Este edifício me encanta. Sinto-me bem em residir nele... Suas cores, forma, pessoas que também residem nele e todo o resto me atraía... Até mesmo o nome, que acho um tanto engraçado... Todas as vezes que olho aquele letreiro, tenho vontade de gargalhar. Queria ter a criatividade de quem batizou este edifício de MANICÔMIO. Nome engraçado não?